Novos rumos da Educação

O Ministro da Educação, Mendonça Filho, e a sua equipe experiente, composta por nomes como a Profa. Maria Helena Guimarães, secretária executiva do MEC, e Marcos Antonio Viegas, secretário da Educação Técnica e Tecnológica, apresentam mais do que sinais do que pretendem executar nos próximos dois anos e meio.

Como primeiras ações, houve as revogações de portarias ministeriais editadas na saída do governo afastado, destacando-se a retirada da nomeação de conselheiros do Conselho Nacional da Educação que foram designados por aspectos políticos e não técnicos.

O Programa Ciências sem Fronteiras será o próximo a passar por mudanças significativas. A proposta é que novas bolsas sejam destinadas apenas à pós graduação. As que se destinavam a intercâmbio para alunos de graduação serão substituídas por programas de intercâmbio para estudantes do ensino médio, o que visa a disseminação do aprendizado e aprimoramento de línguas estrangeira. A mudança está fundamentada no valor despendido no programa que atende apenas 35 mil alunos, semelhante àquele destinado à merenda escolar de 40 milhões de estudantes.

O grande passo sinalizada pelo Ministro da Educação, porém, relaciona-se com a estrutura do ensino médio, hoje organizado com uma matriz comum que oferta o mesmo programa para todos seus alunos. Dos 16 milhões de brasileiros com idades entre 15 e 18 anos apenas 9,2 milhões (58%) cursam o ensino médio. Destes, 73% apresentam desempenho inferior ao esperado em língua inglesa. Em matemática, 91%. Apenas 16,8% (1,5 milhão de estudantes) se matriculam no ensino superior considerando todos os programas de quotas, como Programa Universidade para Todos (Prouni) e de Financiamento Estudantil (FIES). Já os cursos profissionalizantes recebem 8% dos concluintes do ensino médio, um total de 750 mil estudantes.

Assim, temos 75,2% dos jovens entre 18 e 24 anos, idade equivalente ao pós-médio, fora da educação formal. Este contingente de 17,5 milhões de cidadãos ficará aquém do que o mercado de trabalho espera, o que reduz o potencial produtivo e de consumo do país.

Há discussões bastante avançadas entre secretários de educação estaduais e formadores de opinião, como federações de indústrias, de comércio e especialistas em educação, quanto à destinação de metade da carga horária de 2.400 horas para o desenvolvimento de eixos de conhecimento relacionados ao saber aplicado conforme o interesse do aluno, como áreas de humanas, biológicas, exatas e até mesmo a uma matriz de curso técnico.

A integração dos conteúdos propedêuticos com outras disciplinas e conteúdos profissionalizantes é uma estratégia para otimizar recursos já existentes e bem implantados, como o Sistema S (SENAI e SENAC), o Centro Paula Souza, de São Paulo, e instituições similares de outros estados.

O reforço da bandeira da educação profissional se consolida com a manutenção do PRONATEC, assegurada pelo Ministro Mendonça Filho, porém com a adequação da oferta de cursos com a demanda de profissionais de acordo com a cadeia produtiva de cada região e com estratégias de acompanhamento da empregabilidade desenvolvida.

É o que ocorre, particularmente, com o Plano Nacional de Educação, a resolução No 1 de 2016 do Conselho Nacional de Educação e a portaria MEC 401 de maio de 2016, que se integram na direção de reforçar a oferta de educação profissional associada a cursos de Formação de Jovens e Adultos, a ampliação da oferta de cursos concomitantes, integrados e subsequentes, além dos programas de Educação Profissional de Nível Superior (Cursos Superiores de Tecnologia). A atual gestão do MEC pode consolidar esta proposta e ser o marco que transformará a educação no Brasil, alinhando o saber ao fazer e ao realizar e, dessa forma, ser um elemento de aceleração econômica.

Fonte: http://www.abed.org.br/site/pt/midiateca/textos_ead/1390/2016/08/novos_rumos_da_educacao

*Cesar Silva é presidente da Fundação FAT, entidade sem fins lucrativos que desenvolve cursos e treinamentos nas áreas de educação e tecnologia. É bacharel em Administração pela ESAN (Escola Superior de Administração de Negócios de São Bernardo do Campo), pós-graduado em Administração pela FEA- USP, também em Administração. Possui especialização em Sistemas de Informação pelo IMT – Instituto Mauá de Tecnologia.